sábado, 20 de agosto de 2011

" Será amor? "


Cris estava sendo seguida e não tinha idéia de quem poderia ser. Estava tentando manter-se calma e não entrar em pânico. Ultimamente sua noite de sono era acompanhada de pesadelos em que estava sendo seqüestrada. Sabia que isso tudo era fruto de sua imaginação. Andava trabalhando demais. Precisava mesmo era tirar umas férias.

Tinha quase seis meses que terminara seu romance com Leonardo. Fora um relacionamento que deixara cicatrize. Um forte sentimento os unira e da mesma forma os separara. Por muito tempo ficou abalada de ter sido traída sem a menor consideração da parte dele. Ainda muito jovens achavam que tudo era festa e foi nessa imaturidade que acabaram se machucando. Ele voltou para a Itália, sua terra natal, largando os estudos, os amigos e a deixando sem nenhuma despedida.

Depois que tudo terminou Cris fechou o seu coração dedicando-se integralmente ao seu trabalho de produtora de moda.

Tinha acabado de sair do trabalho e estava a caminho do estacionamento para pegar o seu carro que ficava a duas quadras de distância. Um trajeto que fazia diariamente e agora estava ali com aquela sensação.

No exato momento que passava por uma cabine telefônica a porta se abrira aparecendo a sua frente Leonardo. Não teve tempo nem de se assustar e foi logo perguntando asperamente:
- Que loucura é essa Leo? Precisa ficar me seguindo e aparecer dessa forma me assustando?
- Cris não consigo deixar de pensar em você. Sei que o que fiz foi um erro, mas venho aqui te pedir perdão e que volte para mim. Suplicou Leonardo.

Cris olhou para ele com uma cara de poucos amigos e disse:
- Você vem aqui me pedir perdão, mas não parou para pensar que esse nosso amor nunca existiu. Que foi apenas um momento e nada mais.

Ele a puxou para dentro da cabine telefônica abraçando-a fortemente e roubando um beijo que despertou toda aquela paixão que ainda existia entre eles. Por mais que ela tentasse se esquivar de seus carinhos não conseguia reagir. Tentou abrir a porta, mas ele impediu pedindo que ela fosse embora com ele para a Itália onde morava.

- Parece fácil você chegar agora com essa de eu ir morar com você, mas tenho uma vida aqui, um trabalho e não posso decidir num piscar de olhos. Como posso afirmar que o que sentimos um pelo outro é realmente amor. Tenho minhas dúvidas. Falou Cris ainda meio confusa.

- Se isto não é amor, então como nós sairemos disso? Perguntou Leo.

- Não sei Leo. Precisamos conversar muita coisa e estar aqui nesta cabine não vai nos levar a lugar nenhum. Por outro lado eu estou muito cansada e talvez amanhã eu saiba o que te responder. Foi falando, abrindo a porta e caminhando em direção ao estacionamento.

Leo a acompanhou sem dizer uma só palavra. Pegou sua mão e seguiram juntos sentindo que suas vidas ainda tinham um elo muito forte os unindo.



Rene Santos


20ª Edição Começo e Fim
Tena: Comerçar com "C" e termina "o"


75ª Edição Musical
Projeto Bloínquês
08/07/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

" Entre a arte e o amor"


Juliana freqüentava uma Escola de Teatro que a fascinava em tudo. Além de aprender e desenvolver o dom de representar como a interpretação de histórias as mais variadas, abria o seu coração aflorando os seus sentimentos do que lhe era dado para atuar.

Com o passar dos meses já atuara em algumas peças contracenando com vários colegas, sendo que agora estavam lendo Hamlet de Shakespeare e isso a tinha aproximado muito de Felipe, jovem por quem sentia que estava se apaixonando.

Quando sentavam juntos sentia um arrepio só de encostar-se em seu braço. Essa sensação ela não sabia se era correspondida e teve um dia, antes da aula teórica, que tiveram uma oficina onde tinham que fazer cenas de loucos, dementes, hippies e o que mostrasse ser de mais lunático.

Podiam usar desde lenços, trapos, pulseiras e fantasias das mais diversas. Juliana e Felipe escolheram umas pulseiras. Felipe pegou uma pulseira de corda com uns guizos e deu uma de bobo da corte. A pulseira de Juliana era de fios pretos com umas caveiras e ela escolhera interpretar o vampiro.

E assim cada um transmitiu a sua loucura o que divertiu a todos sendo que nesta história toda ainda havia mais um personagem que era o Pedro, primo de Felipe. Ele era super apaixonado por Juliana e já havia comentado com o primo sobre o seu sentimento que não gostou muito de saber.

Podia-se dizer que o fantasma do amor estava assombrando os corações dos jovens atores no Castelo das Artes e agora era só aguardar se sua aparência era mesmo do Rei Hamlet ou do apaixonado Pedro. Nem pensar em falar de assassinato, pois esse tipo de cena não caberia neste triângulo amoroso.

Será que Felipe seria o príncipe Hamlet determinado a vingar o pai e entrando em conflitos morais aparentando estar louco? Dizem que sua loucura é por causa de um amor mal resolvido com Ophelia, filha do amigo do Rei.

Entre a arte e o amor os personagens vão se encaixando onde Juliana passa a ser Ophelia que rejeitada por Hamlet enlouquece. E ao Rei Hamlet fica a dúvida de ser Pedro ou Felipe.

Como neste espetáculo temos desde fantasmas, assassinos e loucos tudo é possível e aí fica montado o quebra cabeça para quem quiser decifrar.

Quando se tem amor à arte deve se deixar o coração aberto a todos os sentimentos e temos que nos sentir livres para o amor.

RSantos

29ª Edição Roteiro
Pauta Bloínquês   

sábado, 6 de agosto de 2011

" O INCÊNDIO"


Acordei com o Inspetor Fonseca acordando a todos nós no dormitório do Internato. O Colégio estava pegando fogo e só se via o tumulto das pessoas correndo. Dava para ouvir as breves explosões vindas do laboratório de química, no térreo, do refeitório. Ele pediu para que todos descessem e os meus colegas ainda tiveram a coragem de descer do terceiro andar, com cordas, mas eu estava preocupado com a minha irmã Lisa que estava do outro lado, na ala dos dormitórios femininos. Precisava ir buscá-la e não sabia como chegar lá porque estava tudo tomado pela fumaça.


Parecia um pesadelo o que estava acontecendo no Colégio naquela madrugada. Fui esticando o pescoço entre as pessoas, e identificando os locais e as coisas que estavam desaparecendo, mas a falta de claridade não ajudava.  O inspetor   estava correndo para todos os lados pedindo calma e mandando todos descerem.

Estava no terceiro andar onde ficavam os dormitórios e vi que o fogo estava tomando conta de tudo. No segundo e primeiro andares ficavam as salas de aula de química, botânica, história, a Biblioteca, o Auditório e tantos outros lugares que a minha cabeça não conseguia mais pensar. Estava tão apavorado que não conseguia sair do lugar e, quanto mais tentava uma brecha para chegar até o quarto onde estava a Lisa, mais o fogo tomava conta do local.


Desesperado me cobri com um cobertor molhado e fui caminhando no meio da fumaça, mas estava difícil de chegar ao quarto das meninas. O fogo tinha tomado conta e comecei a berrar, a chorar chamando à maninha.
- Lisa onde você está? Estou aqui e vim te buscar maninha.
De repente a minha voz ficou rouca e comecei a tossir ficando ofegante não conseguindo respirar.
Estava quase desmaiando quando senti um braço me puxar colocando-me nos ombros e quando acordei estava do lado de fora sendo socorrido pelos médicos.


Já recuperado a primeira coisa que queria saber era sobre Lisa. Caminhando no meio daquela multidão eu olhava para todos que estavam com o casaco do uniforme. Encontrei com o inspetor Fonseca e com alguns colegas perguntando  se a tinham visto, mas a resposta era sempre negativa.


Continuei minha busca e nada até que escuto uma voz baixinha me chamando.
- Fred, Fred eu estou aqui.
Olhei na direção de onde vinha à voz e para minha alegria lá estava a minha irmã sã e salva.


Olhei para ela bem de perto e sorri de ver que estava bem e sem nenhum arranhão. Ela foi logo tirando os meus óculos que estavam quebrados, olhando para as poucas marcas que ficaram em meu rosto e com todo o carinho nos abraçamos agradecendo a Deus por nada de grave ter acontecido num incêndio de tamanha dimensão.


Havíamos perdido nossos pais cedo num acidente de carro e fomos criados pelos nossos avôs maternos. Desde que a vovó ficou doente, acometida por um câncer, fomos encaminhados para este Internato para concluir o ensino médio. Uma vez a cada quinze dias íamos passar o final de semana em casa aproveitando para visitá-la.


Esperávamos ansiosos a chegada das férias para poder fazer companhia aos nossos avós, visitar os amigos, ir às festas da cidade aproveitando os prazeres da adolescência.


A vida nos mostrara momentos tristes e trágicos, mas estávamos ali unidos em família cheios de amor e carinho o que nos enchia de energia e força para continuar em busca da nossa felicidade.


RSantos

18ª Edição Desafio


Conto origem de 14/05/11
23ª Edição Roteiro
Pauta Bloínquês

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

" A JOVEM APAIXONADA "


Michele estava de férias e não podia deixar de aproveitar e passar algumas semanas na casa de praia de seus pais.

Adorava chegar lá e curtir os dias de sol, os banhos de mar, os passeios pela praia, os encontros com seus amigos, os bailes à noite onde sempre encontrava o Bruno, rapaz que conhecia desde criança, que sentia uma atração enorme e, com o tempo, esse sentimento crescera e agora podia dizer que estava completamente apaixonada.

Ele parecia corresponder, mas nunca que tomava iniciativa e sempre ficavam somente nos olhares.

Foi num Baile a fantasia que tudo parecia um sonho, ele chegou todo alegre, bonito e charmoso ficando o tempo todo ao seu lado. Ela vestida de princesa irradiava uma beleza que encantava a todos.

Em determinado momento Bruno pegou o microfone e para que todos ouvissem perguntou:
- A senhorita pode me conceder o prazer desta dança?
Ele posicionou o microfone em sua direção esperando a sua resposta. Michele o olhou abrindo um sorriso de felicidade respondendo um sim com a voz meio embargada.

Dançaram a noite toda, foram se envolvendo pela música e acabaram se entregando aos seus sentimentos.

Bruno abraçado a Michele chegou bem perto de seu rosto e começaram a ser beijar ardentemente e assim continuaram por um tempo sem dimensão.
Falaram sobre tantas coisas, trocaram carinhos, fizeram juras de amor e quando menos esperavam já amanhecia o dia.

Caminhando pela praia Bruno a levou para casa ficando de ligar mais tarde para marcarem de se encontrarem novamente.

Michele estava cansada, seu corpo adormecido, mas estava tão feliz que não conseguia dormir e acabou indo deitar no sofá da saleta ficando horas fitando o infinito, olhando para o vazio.

Seus pensamentos viajavam por um mundo encantando, seu coração batia forte e estava anestesiada pelo amor.

Quantas vezes sonhara por este momento e agora era realidade. Quanta felicidade por estar ali podendo, pela primeira vez em sua vida, ver aquela jovem apaixonada se transformando em uma mulher cheia de amor.
RSantos

28ª Edição Roteiro