sábado, 28 de abril de 2012

" Um fantasma em minha vida "



Muitas vezes me pergunto se precisava ter me casado com o Antonio só porque estava grávida.  Um casamento que durou pouco tempo, mas que deixou nosso filho Benjamim. Um elo que nos unirá para sempre independente de nossa separação.

Foi na Faculdade que nos conhecemos, começamos a namorar e como jovens adolescentes nos entregamos aos encantos da paixão, do amor sem nos preocuparmos com as conseqüências. Sendo de uma cidade pequena onde o seu pai era pessoa influente nos casamos com todas as honrarias, mas depois de seis meses vivendo no mesmo teto comecei a conhecer o verdadeiro Antonio. 

Um homem que achava que o poder estava em suas mãos e que tudo tinha que ser como ele queria. Teve ocasiões que chegava bêbado em casa e esquecia que era sua esposa e procedia comigo como se fosse uma "mulher da vida".

Fui criada pela minha avó, pois perdi meus pais em um acidente quando ainda era criança. Hoje a minha avó Nina já está muito velhinha e vive com sua irmã mais nova, tia Isa.  Quando decidi me separar fui correndo falar com ela que me deu total apoio. 

Pedi à separação que apesar de tudo foi amigável o que me estranhou muito. Fui morar com a avó Nina e tia Isa levando meu Benjamin que estava completando um aninho. Durante algum tempo dediquei minha vida totalmente ao meu Benjamin. 

Quando já estava com cinco aninhos retornei aos meus estudos, comecei a trabalhar em uma galeria de arte. O Benjamin freqüentava a escola pela manhã e a tarde ficava com as avós que o adoravam e tinha que ficar de olho para não fazerem todas as vontades do menino.

Comecei a sair com alguns rapazes, mas o que me preocupava é que não passava do primeiro encontro e depois nenhum deles voltava a me procurar. Cheguei a pensar que ia viver sozinha para o resto da vida, que o fato de ter um filho assustava aos rapazes.

Quantas vezes chorei de tristeza até que conheci o Douglas, um empresário que se estabeleceu na cidade inaugurando uma concessionária de carros.

Começamos a namorar sério, ele se dava muito bem com Benjamin e a minha vida se tornou um paraíso. Estava completamente apaixonada. 
Quando era a semana de Antonio pegar o filho nós aproveitávamos para viajar e curtir o nosso amor. Foi em uma dessa viagens que tive um pressentimento que estava sendo seguida por alguém, mas Douglas me dizia que era fruto da minha imaginação.

Estávamos na estrada de volta para casa quando Douglas recebeu uma ligação que sua loja havia sido arrombada. Que quase todos o seus carros estavam arranhados, com vidros quebrados, pneus furados, etc.

Quem poderia ter feito aquilo em uma cidade que estava crescendo e que poucos casos dessa natureza ocorriam? Claro que Douglas iria ser ressarcido pelo seguro, mas queria saber quem era o autor. Quem queria sua ruína, quem era seu inimigo ?

O que ninguém sabia é que ele mesmo havia instalado um sistema de câmeras ligado ao computador. Foi direto para ver as cenas do que havia sido gravado e para sua surpresa viu que o autor tinha sido Antonio junto com dois homens que ele desconhecia.

Olhando para mim que estava petrificada com o que assistira ele me disse:
- Está vendo Sofia quem é o fantasma que quer acabar com sua vida e agora com a minha.

Agora eu sabia que fora Antonio que sempre fez tudo para que eu não tivesse ninguém para dividir o amor de Benjamin com outro homem. Só que ele esqueceu que a força do amor vence qualquer obstáculo.


RSantos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

" Feliz Ano Novo"



Se eu pudesse deixar algum presente à você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. 

Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.

A capacidade de escolher novos rumos.

Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável.

Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse,
um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrara saída.

 - Mahatma Gandhi -


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

" O bilhete "





Normalmente duas vezes por semana saio da escola direta para o Shopping que fica próximo. O curso de inglês que freqüento fica ao lado e aproveito para fazer um lanche e descansar até chegar a hora da aula.


Estava sentada em uma das mesas da praça de alimentação quando vi no banco ao lado um livro. Alguém o esquecera e como gosto muito de ler o peguei para dar uma olhada. 

Comecei a folhear as páginas após ter lido a sinopse na contra capa. Era um livro de romance que me interessou muito e já que o achei nada me impediria de me deliciar com essa romântica leitura. 


Encontrei um bilhete no meio do livro que dizia os seguintes dizeres:
" Este livro foi esquecido neste lugar justamente para quem o encontrar ler. Depois existe uma regra: passar o livro adiante, ou seja, após o ler fazer o mesmo, deixar em um lugar público e assim dar a oportunidade de que outra pessoa o leia."


Fiquei maravilhada e com certeza iria dar continuidade e passar adiante o livro. Quantos livros que tenho que estava pensando em me desfazer e agora vou fazer o mesmo.


São projetos como estes que devem ser divulgados para incentivar a todos, principalmente a nós  jovens, o hábito pela leitura. "É através da leitura que seremos  capazes de escrever a nossa  própria história".




RSantos




83ª Edição Conto / História
Pauta Bloínquês

sábado, 20 de agosto de 2011

" Será amor? "


Cris estava sendo seguida e não tinha idéia de quem poderia ser. Estava tentando manter-se calma e não entrar em pânico. Ultimamente sua noite de sono era acompanhada de pesadelos em que estava sendo seqüestrada. Sabia que isso tudo era fruto de sua imaginação. Andava trabalhando demais. Precisava mesmo era tirar umas férias.

Tinha quase seis meses que terminara seu romance com Leonardo. Fora um relacionamento que deixara cicatrize. Um forte sentimento os unira e da mesma forma os separara. Por muito tempo ficou abalada de ter sido traída sem a menor consideração da parte dele. Ainda muito jovens achavam que tudo era festa e foi nessa imaturidade que acabaram se machucando. Ele voltou para a Itália, sua terra natal, largando os estudos, os amigos e a deixando sem nenhuma despedida.

Depois que tudo terminou Cris fechou o seu coração dedicando-se integralmente ao seu trabalho de produtora de moda.

Tinha acabado de sair do trabalho e estava a caminho do estacionamento para pegar o seu carro que ficava a duas quadras de distância. Um trajeto que fazia diariamente e agora estava ali com aquela sensação.

No exato momento que passava por uma cabine telefônica a porta se abrira aparecendo a sua frente Leonardo. Não teve tempo nem de se assustar e foi logo perguntando asperamente:
- Que loucura é essa Leo? Precisa ficar me seguindo e aparecer dessa forma me assustando?
- Cris não consigo deixar de pensar em você. Sei que o que fiz foi um erro, mas venho aqui te pedir perdão e que volte para mim. Suplicou Leonardo.

Cris olhou para ele com uma cara de poucos amigos e disse:
- Você vem aqui me pedir perdão, mas não parou para pensar que esse nosso amor nunca existiu. Que foi apenas um momento e nada mais.

Ele a puxou para dentro da cabine telefônica abraçando-a fortemente e roubando um beijo que despertou toda aquela paixão que ainda existia entre eles. Por mais que ela tentasse se esquivar de seus carinhos não conseguia reagir. Tentou abrir a porta, mas ele impediu pedindo que ela fosse embora com ele para a Itália onde morava.

- Parece fácil você chegar agora com essa de eu ir morar com você, mas tenho uma vida aqui, um trabalho e não posso decidir num piscar de olhos. Como posso afirmar que o que sentimos um pelo outro é realmente amor. Tenho minhas dúvidas. Falou Cris ainda meio confusa.

- Se isto não é amor, então como nós sairemos disso? Perguntou Leo.

- Não sei Leo. Precisamos conversar muita coisa e estar aqui nesta cabine não vai nos levar a lugar nenhum. Por outro lado eu estou muito cansada e talvez amanhã eu saiba o que te responder. Foi falando, abrindo a porta e caminhando em direção ao estacionamento.

Leo a acompanhou sem dizer uma só palavra. Pegou sua mão e seguiram juntos sentindo que suas vidas ainda tinham um elo muito forte os unindo.



Rene Santos


20ª Edição Começo e Fim
Tena: Comerçar com "C" e termina "o"


75ª Edição Musical
Projeto Bloínquês
08/07/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

" Entre a arte e o amor"


Juliana freqüentava uma Escola de Teatro que a fascinava em tudo. Além de aprender e desenvolver o dom de representar como a interpretação de histórias as mais variadas, abria o seu coração aflorando os seus sentimentos do que lhe era dado para atuar.

Com o passar dos meses já atuara em algumas peças contracenando com vários colegas, sendo que agora estavam lendo Hamlet de Shakespeare e isso a tinha aproximado muito de Felipe, jovem por quem sentia que estava se apaixonando.

Quando sentavam juntos sentia um arrepio só de encostar-se em seu braço. Essa sensação ela não sabia se era correspondida e teve um dia, antes da aula teórica, que tiveram uma oficina onde tinham que fazer cenas de loucos, dementes, hippies e o que mostrasse ser de mais lunático.

Podiam usar desde lenços, trapos, pulseiras e fantasias das mais diversas. Juliana e Felipe escolheram umas pulseiras. Felipe pegou uma pulseira de corda com uns guizos e deu uma de bobo da corte. A pulseira de Juliana era de fios pretos com umas caveiras e ela escolhera interpretar o vampiro.

E assim cada um transmitiu a sua loucura o que divertiu a todos sendo que nesta história toda ainda havia mais um personagem que era o Pedro, primo de Felipe. Ele era super apaixonado por Juliana e já havia comentado com o primo sobre o seu sentimento que não gostou muito de saber.

Podia-se dizer que o fantasma do amor estava assombrando os corações dos jovens atores no Castelo das Artes e agora era só aguardar se sua aparência era mesmo do Rei Hamlet ou do apaixonado Pedro. Nem pensar em falar de assassinato, pois esse tipo de cena não caberia neste triângulo amoroso.

Será que Felipe seria o príncipe Hamlet determinado a vingar o pai e entrando em conflitos morais aparentando estar louco? Dizem que sua loucura é por causa de um amor mal resolvido com Ophelia, filha do amigo do Rei.

Entre a arte e o amor os personagens vão se encaixando onde Juliana passa a ser Ophelia que rejeitada por Hamlet enlouquece. E ao Rei Hamlet fica a dúvida de ser Pedro ou Felipe.

Como neste espetáculo temos desde fantasmas, assassinos e loucos tudo é possível e aí fica montado o quebra cabeça para quem quiser decifrar.

Quando se tem amor à arte deve se deixar o coração aberto a todos os sentimentos e temos que nos sentir livres para o amor.

RSantos

29ª Edição Roteiro
Pauta Bloínquês   

sábado, 6 de agosto de 2011

" O INCÊNDIO"


Acordei com o Inspetor Fonseca acordando a todos nós no dormitório do Internato. O Colégio estava pegando fogo e só se via o tumulto das pessoas correndo. Dava para ouvir as breves explosões vindas do laboratório de química, no térreo, do refeitório. Ele pediu para que todos descessem e os meus colegas ainda tiveram a coragem de descer do terceiro andar, com cordas, mas eu estava preocupado com a minha irmã Lisa que estava do outro lado, na ala dos dormitórios femininos. Precisava ir buscá-la e não sabia como chegar lá porque estava tudo tomado pela fumaça.


Parecia um pesadelo o que estava acontecendo no Colégio naquela madrugada. Fui esticando o pescoço entre as pessoas, e identificando os locais e as coisas que estavam desaparecendo, mas a falta de claridade não ajudava.  O inspetor   estava correndo para todos os lados pedindo calma e mandando todos descerem.

Estava no terceiro andar onde ficavam os dormitórios e vi que o fogo estava tomando conta de tudo. No segundo e primeiro andares ficavam as salas de aula de química, botânica, história, a Biblioteca, o Auditório e tantos outros lugares que a minha cabeça não conseguia mais pensar. Estava tão apavorado que não conseguia sair do lugar e, quanto mais tentava uma brecha para chegar até o quarto onde estava a Lisa, mais o fogo tomava conta do local.


Desesperado me cobri com um cobertor molhado e fui caminhando no meio da fumaça, mas estava difícil de chegar ao quarto das meninas. O fogo tinha tomado conta e comecei a berrar, a chorar chamando à maninha.
- Lisa onde você está? Estou aqui e vim te buscar maninha.
De repente a minha voz ficou rouca e comecei a tossir ficando ofegante não conseguindo respirar.
Estava quase desmaiando quando senti um braço me puxar colocando-me nos ombros e quando acordei estava do lado de fora sendo socorrido pelos médicos.


Já recuperado a primeira coisa que queria saber era sobre Lisa. Caminhando no meio daquela multidão eu olhava para todos que estavam com o casaco do uniforme. Encontrei com o inspetor Fonseca e com alguns colegas perguntando  se a tinham visto, mas a resposta era sempre negativa.


Continuei minha busca e nada até que escuto uma voz baixinha me chamando.
- Fred, Fred eu estou aqui.
Olhei na direção de onde vinha à voz e para minha alegria lá estava a minha irmã sã e salva.


Olhei para ela bem de perto e sorri de ver que estava bem e sem nenhum arranhão. Ela foi logo tirando os meus óculos que estavam quebrados, olhando para as poucas marcas que ficaram em meu rosto e com todo o carinho nos abraçamos agradecendo a Deus por nada de grave ter acontecido num incêndio de tamanha dimensão.


Havíamos perdido nossos pais cedo num acidente de carro e fomos criados pelos nossos avôs maternos. Desde que a vovó ficou doente, acometida por um câncer, fomos encaminhados para este Internato para concluir o ensino médio. Uma vez a cada quinze dias íamos passar o final de semana em casa aproveitando para visitá-la.


Esperávamos ansiosos a chegada das férias para poder fazer companhia aos nossos avós, visitar os amigos, ir às festas da cidade aproveitando os prazeres da adolescência.


A vida nos mostrara momentos tristes e trágicos, mas estávamos ali unidos em família cheios de amor e carinho o que nos enchia de energia e força para continuar em busca da nossa felicidade.


RSantos

18ª Edição Desafio


Conto origem de 14/05/11
23ª Edição Roteiro
Pauta Bloínquês

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

" A JOVEM APAIXONADA "


Michele estava de férias e não podia deixar de aproveitar e passar algumas semanas na casa de praia de seus pais.

Adorava chegar lá e curtir os dias de sol, os banhos de mar, os passeios pela praia, os encontros com seus amigos, os bailes à noite onde sempre encontrava o Bruno, rapaz que conhecia desde criança, que sentia uma atração enorme e, com o tempo, esse sentimento crescera e agora podia dizer que estava completamente apaixonada.

Ele parecia corresponder, mas nunca que tomava iniciativa e sempre ficavam somente nos olhares.

Foi num Baile a fantasia que tudo parecia um sonho, ele chegou todo alegre, bonito e charmoso ficando o tempo todo ao seu lado. Ela vestida de princesa irradiava uma beleza que encantava a todos.

Em determinado momento Bruno pegou o microfone e para que todos ouvissem perguntou:
- A senhorita pode me conceder o prazer desta dança?
Ele posicionou o microfone em sua direção esperando a sua resposta. Michele o olhou abrindo um sorriso de felicidade respondendo um sim com a voz meio embargada.

Dançaram a noite toda, foram se envolvendo pela música e acabaram se entregando aos seus sentimentos.

Bruno abraçado a Michele chegou bem perto de seu rosto e começaram a ser beijar ardentemente e assim continuaram por um tempo sem dimensão.
Falaram sobre tantas coisas, trocaram carinhos, fizeram juras de amor e quando menos esperavam já amanhecia o dia.

Caminhando pela praia Bruno a levou para casa ficando de ligar mais tarde para marcarem de se encontrarem novamente.

Michele estava cansada, seu corpo adormecido, mas estava tão feliz que não conseguia dormir e acabou indo deitar no sofá da saleta ficando horas fitando o infinito, olhando para o vazio.

Seus pensamentos viajavam por um mundo encantando, seu coração batia forte e estava anestesiada pelo amor.

Quantas vezes sonhara por este momento e agora era realidade. Quanta felicidade por estar ali podendo, pela primeira vez em sua vida, ver aquela jovem apaixonada se transformando em uma mulher cheia de amor.
RSantos

28ª Edição Roteiro

sexta-feira, 22 de julho de 2011

" Uma tempestade de sentimentos "


A chuva caía forte alagando os verdes campos que cercavam as terras da família Lorena. O jovem Duque Henrique de Lorena estava a poucos dias de seu casamento com a princesa Maria Teresa, pertencente à família Imperial da Espanha.

Henrique era um rapaz de um ciúme doentio e ultimamente estava se tornando insuportável. Seguia todos os passos de Maria Teresa e qualquer sorriso ou agrado que fizesse a alguém, de seu relacionamento, já era motivo para uma discussão.

A cerimônia do casamento seria no próximo sábado e muitos convidados amigos e famílias da realeza começavam a chegar. As várias casas dos Lorena estavam hospedando os convidados tornando os dias cheios de encontros nos passeios, nas refeições e propiciando noites alegres.

Eram noites muito agradáveis, cheias de música, danças e papos que não tinham hora para acabar. Tudo isso foi consumindo Henrique que a cada dia ficava mais nervoso e com cara de poucos amigos. Maria Teresa era muito bonita, alegre e estava sempre bem acompanhada de seus primos e primas dedicando menos tempo ao noivo.

Chegara o dia do casamento e tudo já estava pronto. Apesar das fortes chuvas a festa seria nos salões da realeza. No início da manhã Henrique avistou Maria Teresa correndo para se abrigar da chuva. Ela vinha casa da principal e chegou a se assustar quando ele apareceu de repente saindo de trás de uma árvore.

- Henrique que susto que você me deu. O que está fazendo aí parado debaixo dessa chuva? Perguntou ela com o coração ofegante
- Estou te vigiando e não estou gostando do seu comportamento nestes dias. Quero que saiba que você é minha e não quero que fique por aí fazendo gracinhas para esses seus primos. Desabafou Henrique virando o rosto para evitar mostrar o ódio que tinha em seus olhos.

Como ela nada lhe respondera andou em sua direção e segurando o seu braço começou a falar com mais calma e num tom mais carinhoso.

Maria Teresa não gostou da forma como ele agira e já havia percebido o ciúme que ele demonstrava, mas não assim. Isso a preocupava muito e olhando para ele disse:
- Não esperava ouvir isso de você Henrique. Nós vamos nos casar e não pode haver esse tipo de sentimento entre nós. Estar aqui convivendo estes momentos juntos com nossa família e amigos é unir nossos laços, nossas vidas. Hoje é um dia muito especial e deveria ter sido o melhor dia da minha vida, mas não foi.

No meio daquela tempestade estavam os dois estremecidos por sentimentos que jamais deveriam estar presentes. O amor que sentiam não poderia sobreviver a esse ciúme. Era melhor que mostrassem o que realmente eram antes de transformarem suas vidas num inferno.
RSantos


27ª Edição Roteiro
75 ª EdiçãoConto/História

sexta-feira, 1 de julho de 2011

" Uma nova vida "



Chegara verão e com ele o nascer de um novo ano, o nascer de uma nova vida que veio para brindar o nosso amor. O início da gravidez fora bem delicado, pois sentia dores resultantes de contrações que exigia um repouso absoluto.

Vivia praticamente sem sair de casa e que susto levara no dia que desmaiou sendo socorrida pelo seu marido assim que chegou do trabalho. Ele rapidamente a pegou no colo levando-a para a cama e preocupado observava a sua amada.


Assim que ela abriu os olhos sentiu um alívio ao ver o seu amor do seu lado que foi logo falando:
- Meu amor você está bem? Acha que devo ligar para o médico?
- Estou bem e não precisa falar com o doutor, pois ele vai me dar uma bronca. É que fui arrumar as roupinhas de nosso filho no armário e isso deve ter causado esse mal estar. Agora está tudo bem e nada melhor do que continuar nesta cama sem fazer mais arte. Disse ela baixinho.


Ele segurou sua mão pedindo a ela que levasse a sério o repouso. Sabia o quanto estava sendo sacrificante estar ali presa naquela cama. Carinhosamente deitou-se ao seu lado e naquela noite, mal conseguiu dormir.

Passados alguns meses pela primeira vez não sentira dor alguma, pela primeira vez em anos, obteve as respostas às suas perguntas.

Quantos anos tentaram ter filhos e não conseguiram. Seções intermináveis com médicos e especialistas que passavam inúmeros exames e todos os resultados eram desanimadores. Estavam desgastados e deixando de viver em função disso, mas não desistiram e continuaram a luta para ter um filho.

Consultas atrás de consultas e depois todos aqueles exames novamente. Ficamos mais animados após os exames de fertilidade, pois já transcorria mais de 37 dias de ciclo sem nada aparecer o que era um bom sinal.

Estávamos nervosos e ansiosos na expectativa de saber o resultado do teste e quando vimos lá escrito “POSITIVO“ foi uma emoção e alegria que não dava para expressar a grandeza do que sentimos. Choramos de tanta felicidade que parecíamos duas crianças acabando de ganhar o presente dos seus sonhos.

Minha esposa estava grávida finalmente e isso graças a nossa persistência, graças a Deus porque nada na vida acontece por acaso. Você nunca sabe que resultados virão da sua ação, mas se você não fizer nada, não existirão resultados.



RSantos

26a. Edição Roteiro
73a.  Edição Conto/História
Projeto Blóínquês
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