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sexta-feira, 4 de março de 2011

"Minha mãe é chata"


Minha mãe teve que viajar a trabalho e eu passei a semana toda sozinha em casa.

Com o início das aulas só me ausentava para ir à escola e o restante do dia ficava em casa estudando, lendo um livro, conversando com as amigas no MSN.

Adorava curtir esses momentos onde era dona do meu nariz e não tinha ninguém no meu ouvido perguntando:
- Juliana já fez os deveres? Já tomou banho hoje? Já é hora de dormir, larga esse computador que amanhã tem que acordar cedo.

E assim era o tempo todo quando estava em casa. Será que quando for mãe vou ser igualzinha a ela? Espero que não porque mãe assim é chata demais.
Agora que estava distante não perturbava tanto, mas podia contar que de manhã cedo o meu despertador era o toque do telefone com ela me ligando querendo saber se já estava de pé para não perder a hora do colégio, se estava tudo bem enfim o que estava cansada de ouvir e a noite a ladainha se repetia.

Apesar disso tudo eu a amava e me orgulhava muito de ser sua filha. Era uma mulher guerreira, trabalhadora, mãe dedicada até demais e desde que se separou do papai a sua vida era toda em função da casa, da minha educação, do meu futuro.
Mamãe não saia para passear com as amigas, não namorava e isso tudo me fazia pensar que ela ainda gostava de papai que já estava casado com outra. Muitas vezes escutei suas conversas com ele cobrando o pagamento da pensão para poder pagar o meu colégio e o curso de inglês. Ele sempre dava uma desculpa e pagava com grande atraso, mas agora não vinha mais fazendo o pagamento o que levou mamãe a procurar os seus direitos na Justiça. O que ela ganhava com seu trabalho mal dava para pagar as despesas com a casa, comigo e com a alimentação.
Essa tarde estava arrumando a minha mochila e dando uma geral no quarto que era uma bagunça só quando tocou o telefone. Atendi e era o advogado de mamãe dizendo que não conseguia falar com o celular dela e queria que eu informasse sobre a audiência com o Juiz que já estava marcada. Anotei tudo que ele foi me informou com muita atenção para dar o recado corretamente.
Já estava tarde quando mamãe ligou e eu estava até cochilando. Sonolenta fiquei só na escuta ficando praticamente muda e foi aí que me lembrei da ligação recebida e disse:
- Mãe ligou o seu advogado hoje a tarde porque não conseguia falar com o seu celular.
- Juliana ele deixou algum recado? Você anotou por escrito? Foi logo perguntando desesperada.
- Claro mãe a sua filha apanhou um pedaço de papel e escreveu rapidamente o nome e o telefone que ele me ditou para passar para você e também o dia e a hora da audiência com o Juiz que é daqui há quinze dias. Respondi pausadamente para deixá-la tranqüila.

- Minha filha que bom receber essa boa notícia e não vejo a hora de resolver esse assunto.
Deixa esse recado no meu quarto para que você não venha a perder esse papel no meio dessa sua bagunça. Falou a minha mãe do seu jeitinho delicado que lhe era peculiar.
- Esta bem mamãe vou deixar o recado no seu quarto. Respondi secamente para encerrar logo e poder ir dormir.
- Obrigado filha! Sei que estás com sono, mas já verificou se passou o trinco nas portas? Verificou se ficou alguma luz acesa?
- Mãe já verifiquei tudo e agora posso ir dormir? Perguntei já nas últimas.
E aí a ligação caiu e a minha pergunta ficou sem resposta. Fui me deitar perguntando a mim mesmo: 
- Será que toda filha tem uma mãe chata igual a minha?

RSantos
12a. Edição Começo e Fim
Tema: começar com a letra "M", e terminar com "?"
56a. Edição Conto História
Tema:Apanhou um pedaço de papel e
escreveu rapidamente o nome e o telefone

sábado, 12 de fevereiro de 2011

" A TRISTE DESPEDIDA "


Nada melhor poderia ter me acontecido do que os momentos maravilhosos que passei junto com o Marcos. Nosso contato começou num bate papo pelo MSN que o fazíamos esporadicamente e depois a freqüência foi aumentando, nos tornando muito amigos.

Uma amizade onde descobrimos muitas coisas em comum e trocamos confidências, elogios até que resolvemos nos conhecer pessoalmente. Morávamos não muito distantes um do outro, Ele residia em Rio das Ostras e eu em Niterói.

Combinamos de nos encontrar e Marco é que veio até Niterói ficando hospedado em minha casa. Morava sozinha num apartamento pequeno e perto da praia e no início fiquei um pouco receosa, mas logo que nos vimos surgiu uma química entre nós que não precisamos de palavras para demonstrar o que sentíamos um pelo outro.

Muitos não acreditam que isso possa acontecer, mas pode sim, nos apaixonamos perdidamente e agora juntos, um sentindo o calor do outro, trocando carícias, beijos intermináveis que nos encheu de paixão e desejos vivendo uma lua de mel tirou nossos pés do chão e nos transportou a flutuar nas nuvens.

Como tudo que é bom dura pouco e chegara a hora dele partir porque tinha seu trabalho e seus estudos lá em Rio das  Ostras como eu também. Deixamos nos levar sem fazer promessas e nem assumir compromissos para que o tempo se encarregasse de decidir o nosso destino.

- Juliana, meu amor, como gostaria de continuar mais um pouco aqui com você, mas não posso porque tenho muitos compromissos que dependem de mim lá na Indústria de meu pai. Disse ele me olhando com ternura.
- Eu sei disso Marco e como gostaria de não ter que pensar nessa despedida. Fico com o meu coração apertadinho. Respondi abraçando-o bem forte e procurando guardar na minha memória aquele cheirinho que me fazia delirar de tanta paixão e amor juntos.
- Então você vai me levar na Rodoviária ou prefere ficar aqui e eu pego um taxi? Perguntou Marco
- Claro que vou te levar amorzinho. Quero estar com você até o último minuto.
Juliana ia continuar a falar, mas Marco tapou sua boca com um caloroso beijo.

Chegando à Rodoviária fomos direto para o ônibus que já estava se preparando para sair. Foi tudo muito rápido e mal deu para tentar alongar aquele momento.

Separamo-nos com muito afeto: ele, de dentro do ônibus, ainda me disse adeus, com a mão. Conservei-me à porta, a ver se, ao longe, ainda olharia para trás, mas não olhou... E só me restou continuar a dar adeus vendo o ônibus partir até sumir da minha visão.

Depois que o ônibus desapareceu no horizonte ainda continuei parada na esperança que ele aparecesse de volta correndo ao meu encontro. Era querer sonhar como se estivesse assistindo a um filme de amor em que no "The End" sempre se espera aquele final feliz.

A vida continua e essa era a minha realidade. O que poderia acontecer daqui para frente só cada um de nós é que poderia sentir. Foram momentos únicos que nunca tinha vivido igual e com tanta intensidade, mas o que poderia acontecer com nossos corações. Voltando a nossa rotina é que poderíamos avaliar essa triste despedida. 

Que pensar em relação a esse amor . . .  Em relação a sobreviver ao tempo e a essa distancia . . .
RSantos

9a. Edição Começo e Fim
Tema: começar com a letra "N", e terminar com ". . ."

7a. Edição Gênero-Situação

Páragrafo do meio: "Separamo-nos com muito afeto: ele, de dentro do ônibus, ainda me disse adeus, com a mão. Conservei-me à porta, a ver se, ao longe, ainda olharia para trás, mas não olhou..."

5a. Edição Dialogue
Tema: Despedida


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