sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Apesar de tudo ainda sou brasileiro"

O que posso dizer hoje diante dessa campanha eleitoral que fere os princípios básicos da ética e da moral.
Sou uma cidadã que viveu o racionamento da década de 50 quando ainda criança tinha que madrugar para ir para a fila do leite , da carne sem ainda ter muita noção do porque ter que sair de noite para comprar comida.
Sou uma cidadã que viveu na época da Ditadura Militar,  que se sentiu lesada no governo Collor onde seu salário foi retirado de sua conta só deixando cinquentinha que mal dava para pagar o aluguel.
Sou sim uma cidadã que paga rigorosamente todos os impostos, que sou aposentada pelo INSS após trinta anos de trabalho e contribuição à Previdência Social, recebendo um salário que mal paga os gastos básicos de uma família de classe média. Uma aposentada que tem que continuar trabalhando para manter um padrão de vida melhor, para poder pagar um plano de saúde e não depender de um SUS.
Posso dizer que sou uma cidadã feliz, pois ainda tenho saúde para continuar a minha luta, mas quantos não tem essa condição e dependem dos serviços sociais que o governo oferece.
Então vocês me perguntam o que achei  sobre o a eleição do Tiririca para Deputado Federal por 1.353.820 pessoas.
O que achei disso? Acha que nós, povo brasileiro, estamos indo no 'caminho certo' ou acho que ele e outros candidatos, não fazem tanta diferença assim?

Indignação claro que sinto, mas infelizmente aceitaram a candidatura do Tiririca sabendo que não era qualificado e talvez para que todos reagíssemos dessa forma. Será que não seria pior a recandidatura de políticos corruptos que encheram os cofres no exterior as custas do nosso dinheiro?

Continuo na esperança de que o Brasil consiga encontrar o caminho certo e que haja conscientização de todos para que possamos ter um futuro melhor para nossos filhos e netos.

Procurando uma imagem na Internet encontrei este poema postado AQUI e me fez tão bem a alma que não pude deixar de compartilhar com vocês.

 

SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro !
(Autoria real desconhecida)

RSantos

29a. Edição Opinativa

Imagens retiradas da NET

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