sexta-feira, 21 de maio de 2010

"DOMINGO DE ANGÚSTIA E EM FAMÍLIA"


Todos os domingos o meu marido ia até a praia para jogar volei com os amigos e sempre retornava por volta das três horas da tarde.
Sempre teve essa paixão por volei e no domingo esse compromisso era sagrado fizesse sol ou chuva lá estava ele com seu boné, sua sunga , sua camiseta e um saquinho levando os documentos e a chave de casa e do carro.
Algumas vezes o acompanhava levando nosso filho de quatro aninhos - adorava ficar na beira d’água brincando e ver o pai jogando.
Num destes domingos comecei a me preocupar, pois já estava escurecendo e ele ainda não tinha voltado da praia. Fiquei na janela olhando para ver se ele aparecia e nada, estava ficando angustiada e não tinha como me comunicar com ele – nunca foi de levar o celular por mais que eu insistisse – dizia que só atrapalhava e que acabaria perdendo.
E a hora ia passando e nada dele aparecer. Fiquei na frente da janela por algum tempo vendo a chuva cair e procurando não pensar coisa ruim.
A preocupação foi aumentando e fui ligando para a família e alguns amigos mais próximos para saber o que deveria fazer - a única coisa no momento era ter paciência e esperar.
Estava na cozinha preparando um lanche para o nosso filho quando o telefone tocou, sai correndo para atender e que alívio senti ao ouvir sua voz do outro lado da linha.
- Amor estou bem, mas aconteceu um problema e vou precisar de ajuda – disse ele com a voz meio rouca que me deixou tensa.
- O que aconteceu com você me conte logo que estou aqui aflita esperando que chegue e sem saber o que está acontecendo.
- Estou bem – disse ele – e quero que você me escute com calma e atentamente.
Quando estava voltando eu atropelei um homem que atravessou a rua correndo e se jogou na frente do carro. Ele acabou falecendo aqui no Hospital – falou com a voz embargada e até parou de falar - preciso que você fale com seu irmão , com quem for para vim até aqui - estou saindo do Hospital e indo para a Delegacia para fazer a ocorrência e preciso de ajuda.
Escutar tudo isso e sentir o quanto estava sofrendo de angústia, tristeza, pois conhecia muito bem meu marido e sabia que ele estava sem condições emocionais de responder sózinho ao que fosse necessário. Disse que ficasse calmo e que logo, logo estaria meu irmão, nossos amigos para ajudarem no que fosse preciso.
Depois de desligar corri para ligar para o meu irmão, meu cunhado que imediatamente seguiram para ir ao seu encontro .
Tendo que ficar em casa com o meu pequenino, que não entendia o que estava acontecendo, mas queria o papai e expliquei que ele estava consertando o carro para poder vir para casa. Estava já na hora dele dormir e depois de arrumá-lo o coloquei em sua caminha.
As horas foram passando e fiquei plantada na frente da janela esperando que chegassem com meu marido são e salvo.
Escutei um barulho de carro e que felicidade em vê-los chegando e já entrando no prédio. Corri para abrir a porta e recebê-los e que alegria em poder abraçar o meu marido e ver que estava tudo bem.
Estávamos conversando na sala quando o telefone toca e, para nossa surpresa, era o meu cunhado avisando que tinha acabado de chegar - estava na Rodoviária esperando retirarem as malas do bagageiro – e mais um pouco estaria chegando lá em casa.
Ele morava em Juiz de Fora, há umas duas horas daqui, e depois que soube do que tinha acontecido com o irmão, resolveu vim para apoiá-lo e iria ficar uns quinze dias para ter certeza de que tudo estaria bem.
O domingo foi de angústia, mas o importante é que tudo tinha terminado bem graças a Deus e a maravilhosa família que tínhamos.
Uma família composta não só pelos parentes de sangue, composta também de bons amigos que construimos ao longo da vida e que tivemos a felicidade de poder escolher.
Depois de tudo que aconteceu conosco neste domingo tiramos como lição de vida e de amor que “ o importante não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.”

Rene Santos
86a. Edição Cinco Palavras - Blorkutando
(Imagens retiradasda NET)

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